Séries de TV

Brasil 70: a Saga do Tri

Todo mundo já ouviu falar sobre os feitos da Seleção de 1970; provavelmente o melhor time de futebol que o mundo já viu. Tão bom que as gerações seguintes viram, várias vezes, documentários, compilados e até jogos na íntegra para enaltecer o esquadrão brasileiro.

Brasil 70: a Saga do Tri
Foto: Marcelo Maragni

No entanto, penso que por vezes a fantasia é capaz de adicionar doses cavalares de emoção à história real e até engrandecê-la, mesmo que essa já seja grande por si só. Por isso, meu conselho a todos, gostem ou não de futebol, é correr para a frente da TV e assistir aos cinco episódios de “Brasil 70: a saga do Tri”, produção da Netflix que conta, misturando verdade e fantasia, a história de quando nosso futebol era real motivo de orgulho.

Se o termo “fantasia” incomoda, meu conselho é para não se preocupar, pois os momentos mais icônicos dos jogos foram soberbamente e de forma muito respeitosa recriados. Além disso, a série não ignora questões importantes, como o trauma das lesões de Pelé nos mundiais anteriores e, principalmente, o fato de que o Brasil vivia o período mais brutal da ditadura militar e qual a relação que o governo Médici estabeleceu com o futebol naquele momento.

Quando se fala em fantasia, a qual pode ser interpretada como licença poética ou mentira, fala-se mais da montagem do time e de uma ou outra conversa ou questão pessoal inserida na história, mas, sendo bem sincero? Eu gostei da esmagadora maioria. Gostei do casal que vendeu o carro e se mandou para o México para ver a conquista (coisa que até deve ter acontecido com alguém); gostei do fantasma de Barbosa pairando sobre o goleiro Félix e gostei de cada cena, cada fala proferida por Rodrigo Santoro, brilhante no papel de João Saldanha – para ser sincero, tive que recorrer às memórias de meu pai, que me garantiram que o ator esteve impecável no papel. No entanto, é bom que se diga: não só ele.

Sim, Santoro estava espetacular e foi muito ajudado por viver um personagem extremamente carismático, mas Bruno Mazzeo também estava ótimo como um ainda jovem técnico Zagallo e, claro, não poderíamos não citar os garotos que viveram os jogadores. Evidentemente, Pelé foi o destaque, muito bem interpretado por Lucas Agrícola, que se valeu também de sua semelhança física com o Rei do Futebol.

Aliás, mesmo que os outros não fossem tão parecidos, a produção se empenhou em identificá-los, não apenas pelos nomes ou números nas camisas, mas por características físicas marcantes, como o bigode de Rivelino, a careca de Gérson e o sotaque mineiro de Tostão. Menção também ao ótimo Marcelo Adnet em sua silenciosa, mas perceptível homenagem à Galvão Bueno.

“Brasil 70: a Saga do Tri” é mais do que uma justa homenagem a personagens que tornaram o futebol parte importante de nossa cultura, nossa identidade e nosso orgulho. É o retrato de uma época, terrível, sim, sob os horrores de uma ditadura que deve ser ressaltada justamente para que nunca caia no esquecimento, mas que não conseguiu tomar para si o orgulho de sermos os melhores em alguma coisa. Em vários momentos da série, peguei-me emocionado, torcendo e até pulando do sofá para gritar por gols marcados há 56 anos.

No entanto, fica aqui um questionamento: queria a Dona Netflix alimentar torcida pela Seleção atual? Porque a mim eles sé conseguiram afastar. Claro, podemos até ganhar, num golpe de sorte, mas jamais olharei para os neymares e vinis júniors da vida com o respeito que o time de 70 merece.

Ficha técnica

Brasil 70: a Saga do Tri

Brasil 70: a Saga do Tri

Série dramática
Brasil, 2026
5 episódios
Classificação: A12
Criação: Naná Xavier, Rafael Dornellas
Elenco: Lucas Agrícola, Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo, Ravel Andrade, Hugo Haddad, Caio Cabral, Guilherme Ferraz, Fillipe Soutto, Daniel Blanco, Marcelo Adnet
Disponível na Netflix

Sinopse
Nesta série dramática, o time brasileiro entra em campo com grandes sonhos e um desafio maior ainda: se tornar tricampeão mundial.

Trailer / página oficial:
https://www.netflix.com/br/title/81955183

Foto do autor
Sobre o Autor

Diego Salomão

Diego Martins Salomão nasceu em São Paulo. Touro com ascendente em escorpião, é um corintiano fanático por futebol, música e filmes do universo geek. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, trabalhou como assessor de imprensa, repórter de pesca, redator publicitário e até auxiliar de TI. Atualmente trabalha com revisão de livros e audiobooks, além de palestras e cursos sobre técnicas de redação.